Feeds:
Artigos
Comentários

Assim de repente…

O outro dia ouvi esta canção:

E fez-me pensar.

Continuar a ler »

6 anos, é muito tempo…

Pois é verdade, seis anos já passaram desde que iniciei esta aventura de misturar a sardinha com o sild, o chouriço com o pølse, o vinho tinto com a cerveja nórdica. Perguntam alguns, mas os nórdicos têm cerveja? Pesquisem e vejam de onde vem a Carlsberg e a Tuborg. E sim, já sei, cerveja boa é a Portuguesa, não há cerveja melhor do que a nossa. Não vou por aí…

Continuar a ler »

Mundo de surpresas

Buscando, passeando, navegando, encontram-se coisas interessantes.

Na novela brasileira encontra-se a vida…

Poema em linha reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)

 

Lembrança

Hoje li em algum lado a efeméride. Aniversário da morte de um poeta, porque não dar lugar à poesia?

Portugal

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,

a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

*

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há «papo-de-anjo» que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós…

Alexandre O’Neill, in ‘Feira Cabisbaixa’

Ser português na Dinamarca é….

Muitas vezes me perguntam como é vida na Dinamarca, em que é que é diferente da vida em Portugal. Normalmente é mais fácil responder a uma pergunta concreta, do que estar a divagar sobre o tema. Mas como há quem já tenha feito algum trabalho sobre isso, aqui fica a opinião de uma amiga…

Continuar a ler »

Ética

Lido na revista da Ordem dos Engenheiro portuguesa, e publicado aqui, para consulta e memória futura.

Continuar a ler »

Saudade

Mais uns dias passados em Portugal, revisitando lugares, sabores, cheiros, sons…De regresso a outra casa, passo os olhos pela revista, lêm-se estas palavras, a 10000m de altitude.

Continuar a ler »